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Manutenção Para o mecânico

Cuidados importantes na hora de trocar a caixa de direção

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Por ser um componente fundamental para a segurança do veículo, a caixa de direção deve ser mantida sempre na mais perfeita ordem. O mecânico precisa estar atento a todos os problemas que possam aparecer e, quando a troca é necessária, o trabalho exige muito capricho e atenção a cada detalhe.

Neste post, vamos apresentar algumas dicas para seguir no momento de trocar a caixa de direção dos veículos e ao final revisaremos 6 problemas comuns na caixa de direção e como resolvê-los. Acompanhe!

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Tipos de direções

Antes de falarmos sobre os principais procedimentos de substituição das caixas, vamos relembrar as diferenças entre os quatro sistemas mais usados pelos veículos nacionais e importados vendidos no Brasil. Confira as particularidades de cada uma das tecnologias!

Direção mecânica

Apesar de estar perdendo espaço nos carros mais novos, o sistema sem nenhum tipo de assistência ainda é muito usado. Nas últimas décadas, os modelos de pinhão e cremalheira passaram a dominar o mercado. Em resumo, são caixas bastante simples, precisas e baratas.

Quando chegam ao final da sua vida útil e começam a apresentar folgas exageradas, o mais correto e seguro é realizar uma troca completa. Ainda existem muitas empresas que fazem o recondicionamento, mas a qualidade do serviço quase sempre deixa muito a desejar.

Direção hidráulica

Como a direção mecânica costuma ser bastante “pesada”, foi criado o sistema de auxílio hidráulico. No entanto, os componentes básicos usados na versão mecânica são mantidos. Apenas são agregados novos elementos capazes de tornar o movimento mais leve.

São adicionados, principalmente, a bomba hidráulica, o reservatório de fluido, as mangueiras e tubulações de alta e baixa pressão. A caixa também sofre alterações, ganhando câmaras de atuação do fluido e uma válvula de controle rotativa no pinhão.

Quando movimentamos o volante, o elemento instalado no pinhão direciona o fluido sobre pressão para uma das câmaras da caixa de direção, aliviando o esforço feito no volante. A bomba hidráulica pode ser acionada diretamente pelo motor ou ser independente.

Desde a década de 1990, muitas direções hidráulicas também contam com um gerenciamento eletrônico, capaz de adequar o nível de assistência (a “leveza” do volante) para cada situação de uso, garantindo a melhor relação entre conforto e segurança para o motorista.

Direção eletro-hidráulica

No Brasil, esse sistema foi usado principalmente em veículos da Chevrolet e da Volkswagen. É praticamente igual à versão hidráulica comum — a diferença está no acionamento da bomba, que tem um motor elétrico próprio, controlado eletronicamente.

Suas principais vantagens eram consumir menos potência do veículo (entrava em ação apenas quando era necessário), dispensar o acionamento tradicional por correia e, graças a essa mudança, ter um baixo nível de ruído. Mas o custo de manutenção sempre foi um problema.

Direção eletromecânica

A direção elétrica está sendo cada vez mais adotada pelas montadoras. É um sistema que, como dizem popularmente, “veio para ficar”. O conjunto de assistência é compacto, leve e pode ser instalado na caixa de direção ou na coluna, tendo muitas vantagens em relação às versões mecânica ou hidráulica.

Pode proporcionar uma redução muito grande do esforço durante as manobras, sendo capaz de alterar a assistência em função da velocidade do veículo ou diversos outros parâmetros. Além disso, tem um consumo de energia bem reduzido e o ruído do sistema é muito baixo.

Em modelos mais sofisticados, a caixa elétrica chega a auxiliar o motorista e aumentar a segurança do veículo, corrigindo problemas como os desníveis na pista ou ventos laterais. Também pode ser integrada a sistemas semiautônomos de direção e estacionamento.

Remoção da caixa

Como você bem sabe, apesar de existirem quatro tipos principais de direção, os componentes básicos da caixa são parecidos, apenas com as particularidades de cada servoassistência. Portanto, a remoção e a instalação do conjunto seguirão passos semelhantes.

A diferença ficará apenas na manutenção dos componentes agregados, como as mangueiras e o fluido, no caso da direção hidráulica. Da mesma forma, os sistemas eletro-hidráulico e elétrico exigem uma atenção especial com a eletrônica, sendo necessário o uso do scanner.

Os detalhes de cada veículo

O primeiro passo é conhecer todas as particularidades do veículo que você vai reparar. Para aprimorar o seu trabalho e garantir a satisfação dos clientes, é importante estar bem atualizado sobre o funcionamento de cada sistema e contar com todas as ferramentas necessárias.

Nos modelos Ford Ka e Fiesta, por exemplo, primeiramente é importante verificar se as cruzetas da coluna não estão com folgas ou travando. Muitas vezes, o motorista confunde esses problemas e chega à oficina reclamando da caixa de direção, que pode estar em perfeito estado.

No Chevrolet Corsa e seus derivados, é bom verificar as buchas e os rolamentos da coluna, além do estado das cruzetas e do sistema retrátil. Esse mesmo cuidado com as buchas vale para a linha Volkswagen. Também confira se o sistema de fixação da caixa não tem folgas.

Os cuidados na desmontagem

Por segurança, solte o cabo negativo da bateria — na frota atual, a maioria equipada com airbags, esse cuidado é muito importante. O próximo passo é centralizar o volante. Na hora de sacar os terminais de direção, use sempre o extrator certo para não danificar as peças.

A seguir, desconecte o eixo do pinhão da coluna. Na hora de retirar a caixa, principalmente de um veículo que você nunca consertou, estude bem a situação. Solte todas as peças que podem estar fixadas no conjunto (não deixe nada pendurado, para não forçar) e avalie se não será necessário remover até o subchassi, também chamado de quadro ou agregado.

Também fique atento ao tipo de servoassistência que o carro tem. Quando for hidráulico, é preciso remover as tubulações com os seus cuidados particulares, limpando antes de desconectar as tubulações e colocando tampas, para não contaminar o sistema hidráulico.

No caso da direção elétrica, existem duas situações. Se o conjunto elétrico estiver na coluna, a caixa é comum (mecânica). Porém, se o conjunto tiver dois pinhões e o motor na caixa, como em alguns modelos da Volkswagen, é preciso desconectar toda a parte elétrica.

Instalação da caixa

Ao fazer a substituição da caixa, o ideal é trocar também, de uma forma preventiva, os terminais de direção e outras peças que estiverem com um desgaste considerável. Também aproveite para verificar os componentes da suspensão e revisar o sistema de transmissão.

Faça a instalação dos terminais na caixa mantendo as mesmas quantidades de voltas dos itens antigos, para facilitar o serviço de alinhamento. Também tome cuidado para que a cremalheira se mantenha centralizada durante esse trabalho.

Na hora de montar a nova caixa de direção, utilize as ferramentas apropriadas, respeite os torques indicados pelo fabricante e substitua todos os elementos de uso único, como porcas autotravantes, arruelas de vedação, o-rings, entre outros. Também deixamos outras dicas:

  1. Depois de encaixar a caixa de direção, confira o posicionamento da vedação que fica no painel corta-fogo, para evitar uma futura entrada de pó ou água;
  2. Atente para que o estriado ou entalhe do pinhão se encaixe na junta universal da coluna de uma forma centralizada;
  3. Se notar que algum parafuso do conjunto está com problema, troque-o por um novo. Sempre que possível, compre os itens originais;
  4. Nunca improvise no sistema de direção, usando solda, usinagem ou outros processos;
  5. Da mesma forma, evite montar peças recondicionadas ou compradas em desmanches;
  6. Ao final do processo de montagem, faça uma checagem geral para ter certeza de que tudo foi recolocado no lugar e está bem fixado.

Caso esteja fazendo a troca de uma caixa eletro-hidráulica ou elétrica, será preciso conferir a ligação de todos os conectores e, na maioria das vezes, usar o scanner para ajustar o sistema.

Nos veículos com direção elétrica é necessário realizar novamente a centralização eletrônica do volante. Caso contrário, o veículo poderá “puxar” para os lados ou ter desvios na trajetória. Se a caixa substituída for hidráulica, é importante fazer uma checagem cuidadosa do estado e fixação das mangueiras e tubulações, além de trocar o fluido e realizar o processo de sangria.

Alinhamento e teste

Sempre que realizamos uma manutenção no sistema de direção, é fundamental fazer um novo alinhamento. Também é recomendável conferir o balanceamento das rodas, de forma a entregar o carro para o cliente com a dirigibilidade perfeita.

Depois, faça um teste de rodagem, verificando se não existem folgas, barulhos, trepidações e se a direção não está com algum comportamento estranho. Caso esteja tudo aprovado, o carro estará pronto para ser entregue com a máxima segurança.

Não se esqueça de informar ao cliente que, como a caixa de direção é nova, é normal que o volante fique um pouco mais pesado nos primeiros dias de uso. Também explique em detalhes todo o trabalho que foi realizado, fazendo um pós-venda bem caprichado!

Se quiser encantar ainda mais seus clientes, indique a leitura sobre os problemas mais comuns na caixa de direção. Conhecendo esses principais sintomas, eles podem ajudar bastante no momento de comunicar a você alguma falha. Que tal?

Depois de ler esse passo a passo sobre a instalação dos diferentes tipos de caixas de direção, você estará ainda mais preparado para efetuar esse tipo de serviço em qualquer modelo de veículo — seja equipado com um sistema mecânico, hidráulico, eletro-hidráulico ou elétrico.

6 problemas na caixa de direção e como resolvê-los

Para facilitar ainda mais o seu trabalho, vamos revisar 6 problemas comuns na caixa de direção e as soluções através do infográfico abaixo. Confira!

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