Como a manutenção preventiva garante mais segurança no trânsito?

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Segurança no trânsito diz respeito a uma série de medidas preventivas, envolvendo pedestres, motoristas e ciclistas, que têm por objetivo aumentar a segurança das pessoas, evitar acidentes e preservar a vida. Tal conceito está ligado a práticas de direção defensiva (como evitar ultrapassagens perigosas e sinalizar todas as manobras), às leis de trânsito (andar no limite de velocidade, utilizar capacete, etc) e o cuidado com o estado de conservação do carro.

Quem não gosta de pegar a estrada em um feriado ou nas férias, para fugir da rotina, relaxar e se divertir, ou mesmo visitar parentes que moram em outra cidade? Mas para rodar tranquilo, além de uma direção segura e muita atenção, você sabe que precisa ter um carro confiável, não é mesmo? Aqui entra a manutenção preventiva, que nada mais é que o conjunto de ações, tomadas antecipadamente, para diminuir as possibilidades de falhas mecânicas e acidentes. Sem sombra de dúvidas, esse é o melhor caminho para sempre contar com um veículo bem cuidado, reduzir sua depreciação e garantir que ele rode em segurança.

Quer saber mais sobre o tema, compreender de vez sua importância e verificar quais são os principais itens mecânicos que não devem ficar de fora de uma revisão? Continue a leitura e fique por dentro. Neste texto falaremos também sobre importantes iniciativas para conscientizar os motoristas brasileiros sobre a importância da manutenção preventiva. Aperte os cintos, ajuste os espelhos e boa leitura!

O que são os programas Caminhão 100%, Carro 100% e Moto 100%?

Os dados sobre acidentes de trânsito sempre preocuparam as autoridades. De acordo com um levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), acidentes de trânsito representam um custo estimado de 1 a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Para efeito de comparação, os gastos com a educação brasileira em 2015 foram de aproximadamente 5% do PIB.

O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países com maiores fatalidades no trânsito e as causas, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), são:

  • falta de atenção (30,8%);
  • velocidade incompatível com a via (21,9%);
  • mistura de álcool e direção (15,6%);
  • desobediência à sinalização das vias (10%);
  • outras causas (21,7%);

Como pode ser observado nos números acima, o fator humano tem grande peso nos acidentes registrados. Por isso, além das campanhas feitas pelo governo, visando orientação e a prevenção de acidentes, como é o caso do “Maio Amarelo”, a iniciativa privada também tem adotado medidas para reduzir os índices de acidentes no país.

O programa Caminhão 100%, Carro 100% e moto 100% foi criado pelo Grupo de Manutenção Automotiva (GMA) e tem o objetivo de conscientizar o motorista sobre a importância da manutenção preventiva para aumentar a segurança no trânsito, baixar os níveis de poluentes e reduzir o consumo de combustível.

Além disso, nessa campanha — iniciada em 2008 — são realizadas gratuitamente diversas revisões em componentes mecânicos dos veículos que trafegam nas principais rodovias do país.

Os três pilares da campanha — prevenção de acidentes, redução de poluentes e redução de consumo — se somam para melhorar a qualidade de vida e a segurança de toda sociedade, uma vez que permite a conscientização dos motoristas acerca da importância da manutenção preventiva de seus veículos, reduzindo incidentes, melhorando a qualidade do ar — com a instalação de equipamentos e filtros de gases poluentes — e otimizando o consumo de combustível.

Existem ainda campanhas locais semelhantes ao programa em questão, mas que têm um apelo maior, como é o caso dos outdoors instalados em Belém do Pará, com as seguintes frases: “Bebeu e está dirigindo? Igreja lotada daqui a sete dias!” e “Bebeu e está dirigindo? Vai ficar lindo com uma coroa de flores!”.

Algumas ONGs também têm apoiado campanhas publicitárias para reduzir o número de acidentes, como é o caso da ONG Trânsito Amigo, que trouxe o slogan “matar no trânsito também é crime”, acompanhada de uma foto de duas pessoas feridas segurando uma placa de carro com o nome das pessoas envolvidas em um acidente e o ano do ocorrido.

O envolvimento da sociedade e das autoridades para redução dos números de acidentes é de fundamental importância para que todas as campanhas criadas sejam efetivas. Por alguma razão, sempre temos a impressão que um acidente está longe de acontecer conosco e negligenciamos medidas simples, mas que salvam vidas.

Pensar que aquele pneu usado pode “aguentar” um pouco mais, que não é preciso se preocupar tanto assim com a verificação dos fluídos do carro, ou que se consegue digitar ou falar ao telefone enquanto dirige. Esses e outros hábitos devem ser varridos de nossa mente, pois nenhum dinheiro/tempo economizado por suprimir as medidas de ação preventiva valem mais a pena do que trafegar em segurança.

Por que fazer a manutenção preventiva é importante?

A manutenção preventiva é importante pois diminui as possibilidades do condutor se envolver em um acidente devido ao desgaste natural dos componentes do seu veículo. Além disso, a manutenção preventiva é mais barata que a corretiva.

Para ilustrar, vamos pegar a troca de óleo e de filtro como exemplo. O fabricante do seu carro estudou a relação entre a durabilidade dos componentes do motor e o tempo de uso do óleo e do filtro e descobriu o seguinte: à medida que o tempo passa sem que a devida troca de óleo e filtro sejam feitas, a durabilidade do motor é reduzida.

Com isso, ele estipulou o período em que esses itens devem ser trocados para maximizar a vida útil do seu motor, que é a parte mais cara do carro e, consequentemente, aquela que desejamos conservar por mais tempo.

Se você decidir economizar com a troca de óleo/filtro, poupará cerca de R$150 a R$250. Entretanto, as partículas metálicas suspensas no fluido de motor do seu carro, que o filtro velho não mais consegue reter, entrarão em contato com as partes móveis do propulsor, o que desgasta prematuramente o interior desse componente.

E se isso acontecer, prepare o bolso. Nenhum mecânico vai colocar a mão para arrumar (se tiver conserto) por menos de R$2500. Ou seja, não vale a pena economizar com manutenção preventiva. O que pode ser feito é buscar por oficinas que prestem um bom serviço com um preço justo.

Se o exemplo do motor não é suficiente para você, vamos pegar outro caso. Considere os freios do seu carro. Novamente, os engenheiros que desenvolveram o sistema de freios do seu carro também estudaram o tempo de vida de cada um dos componentes e disponibilizaram essa informação para você, lá no manual do proprietário.

Digamos que está nos dias de trocar o fluido e as pastilhas de freio, conforme as recomendações do fabricante, o que daria em torno de uns R$250 se o carro for nacional. Se, por alguma razão, você resolver não fazer a manutenção preventiva desses itens, seu prejuízo será consideravelmente maior. Além de colocar sua vida e a de outras pessoas em risco, a não substituição desses itens pode comprometer o disco de freio e outros sistemas, a um custo que pode facilmente ultrapassar os R$600, dependendo do ano e modelo.

Outras simulações como essas, que consideram a importância da manutenção preventiva, podem ser feitas para os demais sistemas do veículo, como amortecedores, sistemas elétricos e de arrefecimento, entre outros. A conclusão é sempre a mesma: a manutenção preventiva é a forma mais segura e barata de evitar acidentes e de manter o trânsito seguro.

Como a manutenção preventiva garante mais segurança no trânsito?

Como foi dito em parágrafos anteriores, a manutenção preventiva visa reduzir as chances do condutor se envolver em um acidente por falhas em um ou mais sistemas do automóvel. Abaixo explicaremos como cada um dos principais sistemas do carro pode ser positivamente impactado pela manutenção preventiva e como tudo isso se traduz em mais segurança no trânsito.

Sistema de suspensão

Os amortecedores garantem a correta absorção dos impactos gerados pela passagem do veículo nos mais diversos terrenos, gerando dirigibilidade para o motorista e conforto para todos os ocupantes. Porém, as irregularidades dos terrenos pelo quais passam os carros diariamente acabam por deslocar os pontos de fixação do sistema de suspensão, alterando o balanceamento do veículo e prejudicando a dirigibilidade e o conforto.

Assim, periodicamente deve-se fazer a inspeção desse sistema, verificando seus principais itens, como batentes, amortecedores, coxins, buchas e outros, conforme a recomendação do fabricante. Se você chegar a bater fortemente em um buraco enquanto dirige, procure imediatamente um mecânico, mesmo fora da data de manutenção preventiva.

Sistemas de freio

Não é necessário ser nenhum “Sherlock Holmes” para saber a importância da correta manutenção desse item. Para esse componente não há muito o que fazer, somente seguir as orientações do fabricante e ficar atento a algum ruído no sistema.

As consequências de alguma falha nos freios podem ser catastróficas. Para se ter uma noção, uma colisão entre dois veículos, trafegando ambos a 30 km/h (em sentido oposto), resulta em um choque equivalente à queda do quarto andar de um prédio (14 metros).

A lista a ser verificada nesse sistema inclui o fluido de freio, os discos, as pastilhas, lonas, cilindros e outros. Portanto, pegue o manual do proprietário do seu veículo e veja a periodicidade de revisões do sistema de freio. Lembre-se que não se trata apenas de parar o carro, e sim de parar no tempo correto. O ideal é que o veículo não trave as rodas quando for pisar de maneira brusca no freio. Dessa forma, você evita a derrapagem e consegue parar antes o carro.

O carro ainda conta com o freio de mão, necessário para mantê-lo parado quando estiver estacionado. Algumas pessoas ainda preservam o costume de manter o veículo engatado na primeira marcha e com o volante levemente torcido para que, caso o freio de mão não funcione, os pneus encostem no meio fio e assim automóvel permaneça parado.

Motor

Ele é responsável pela geração de potência do carro e, portanto, deve ganhar a sua atenção quando se fala em manutenção preventiva. Para preservar a vida do motor, deve-se ter atenção com os limites de quilometragem de óleo, filtros de óleo, de combustível e de ar — eles estão indicados naquelas etiquetas fixadas no canto superior esquerdo do para-brisas — e fazer as trocas desses componentes quando o limite chegar.

Aqui é fundamental ter cuidado ao escolher quais produtos utilizar. Filtros, óleos e combustível de procedência duvidosa devem ser evitados a todo custo, pois interagem diretamente com as “entranhas” do propulsor. Pense no estrago que uma partícula dura que entra pelo sistema de admissão de ar pode fazer no interior da câmara de combustão.

O óleo pode ser verificado com mais frequência do que os outros itens, uma vez que há no motor um sistema de checagem de óleo por meio de uma vareta que vai até o cárter. Com o motor frio, verifique o nível do óleo. Se ele não estiver entre as marcas “máximo” e “mínimo”, procure uma oficina.

Outros sinais que são indicativos da saúde do motor e podem ser observados pelo motorista é a temperatura indicada no painel, que jamais deve ultrapassar um limite – normalmente uma faixa vermelha. Se isso ocorrer, há alto risco de superaquecimento (falaremos mais disso no próximo tópico). Pode-se ficar atento também aos ruídos do motor. Se eles estiverem mais altos do que o normal, vale a pena procurar por um especialista.

Sistema de arrefecimento

Esse sistema é responsável por resfriar o motor e seus componentes, evitando superaquecimento e possíveis danos a outros sistemas. Ele basicamente é composto por bomba de água, radiador, reservatório e fluido — que geralmente é água desmineralizada e aditivo, que circula pelos capilares no interior do motor e troca calor. Esse calor vai para o meio exterior através do radiador. Por isso é tão importante verificar o nível de água no reservatório, pois sem ela não há meios de controlar a temperatura, o que pode causar superaquecimento e fundir os componentes do motor. Prejuízo na certa!

O sistema de arrefecimento dos veículos atuais é selado e dispensa reposição de água, mas a verificação do nível do líquido deve ser feita de forma periódica (vide manual do proprietário). Na manutenção preventiva do sistema de arrefecimento, deve-se checar o desgaste de mangueiras e abraçadeiras, o estado do radiador, a tampa do reservatório e da bomba d’água, e fazer a substituição periódica do liquido. Além disso, não se pode esquecer do teste de estanqueidade do sistema, para certificar-se que não há vazamentos.

Alinhamento, balanceamento e troca de pneus

O alinhamento e o balanceamento do carro também devem entrar na lista de itens a serem verificados preventivamente e periodicamente. Normalmente, um veículo desalinhado “puxa” o carro para a esquerda ou para a direita quando se solta o volante por um breve período.

Já o desbalanceamento faz com que o carro e o volante vibrem fortemente em determinadas velocidades. Portanto, um carro bem alinhado e balanceado melhora a segurança no trânsito, pois não traz desconforto para quem dirige e mantém o carro sempre em linha com a pista, sem que o motorista tenha que ficar puxando o volante para centralizá-lo em sua faixa.

Além disso, esses dois procedimentos também servem para prolongar a vida dos pneus, que devem ser gastos igualmente dos dois lados. A avaliação dos pneus pode ser feita pelo próprio condutor, que deve observar, entre outras coisas, a altura dos sulcos contidos na banda de rodagem.

Pneus em boas condições de uso auxiliam no amortecimento do carro, dão tração suficiente para não derrapar — ao acelerar e ao frear — e evitam o fenômeno de aquaplanagem. Portanto, devem receber atenção especial e ser checados com mais frequência.

Sistema de Iluminação e sinalização

A iluminação do carro também deve ser regulada. O farol esquerdo deve sempre estar apontado para a estrada logo à frente. Já o farol direito deve iluminar parcialmente a estrada e as placas. Se estiverem desregulados, esse sistema não permitirá que você veja a pista e a sinalização. Além disso, você ainda atrapalhará os motoristas que vêm no sentido oposto.

Antes de pegar a estrada, confira o sistema de pisca-alerta, setas, luz alta e baixa, luzes de posição, de ré e de freio. Caso seja observado qualquer desvio da normalidade, procure por uma oficina elétrica automotiva.

Outros sistemas do carro também devem ser conferidos preventivamente para minimizar os riscos de acidentes, como o sistema de transmissão. Note que nenhum dos sistemas citados garantem completa segurança no trânsito, porém seu correto funcionamento reduz as chances de se envolver em acidentes.

O conjunto carro/motorista deve funcionar perfeitamente. Assim, além de toda a manutenção preventiva que deve ser realizada no carro, o condutor pode adotar uma postura de direção defensiva, evitando situações nas quais sua capacidade de julgamento e atenção são afetadas.

Quais são as vantagens e desvantagens da manutenção preventiva?

Em um primeiro momento, podemos elencar mais vantagens do que desvantagens na manutenção preventiva. São elas:

  • redução da degeneração e do envelhecimento dos sistemas e subsistemas;
  • redução de custos operacionais — como reboque e multas — evitando que outros sistemas fiquem danificados pela disfunção de peças e sistemas adjacentes.

Além disso, atuar preventivamente permite ao usuário programar sua agenda — vendo a sua disponibilidade e a do mecânico/oficina — e suas finanças, uma vez que todas as manutenções preventivas são preestabelecidas.

Minimizando as chances de falhas, você automaticamente reduz os períodos em que ficará sem o carro. Pois em uma manutenção preventiva você sabe exatamente a peça que deve ser trocada, enquanto na corretiva é necessário fazer uma avaliação dos sistemas, procurando e substituindo peças danificadas, o que leva mais tempo.

Como ponto negativo, podemos destacar a gestão dos diversos sistemas que devem ser acompanhadas rigorosamente. Se você fizer a manutenção preventiva sem programação, poderá substituir peças que ainda não estão no período de troca e, assim, ter prejuízo.

Conclusão

Por se tratar de um “organismo” altamente complexo, composto de seres humanos e máquinas, o trânsito não é previsível, ao ponto de podermos dizer exatamente o que fazer para garantir a completa segurança ao dirigir.

Em vez disso, estudamos o mecanismo como um todo. Com as ferramentas que temos, identificamos os pontos críticos e os melhoramos para que eles não se tornem fatores de insegurança e de geração de acidentes.

Assim, o que podemos dizer para os motoristas é: a manutenção preventiva é o melhor caminho para gerar mais segurança no trânsito e economizar com o automóvel. Afinal, seus custos são bem menores quando comparados com a manutenção corretiva. Para garantir uma prevenção efetiva, basta consultar o manual do proprietário e ver a periodicidade de cada um dos sistemas e subsistemas.

Por fim, cabe a cada um a sensibilidade de entender que a parte mais vulnerável do trânsito são as pessoas. Uma vez em bom estado de conservação, os carros, caminhões e motocicletas são confiáveis, mas não infalíveis. Por isso, além da manutenção preventiva, o condutor deve dirigir preventivamente, extinguindo todas as possibilidades que possam desviar sua atenção, pois é a parte humana do conjunto automóvel/condutor a que mais contribui para fatalidades no trânsito.

Agora que você compreende como a manutenção preventiva é essencial para a segurança no trânsito, assine nossa newsletter e acompanhe nossos artigos sobre manutenção de automóveis!

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