O impacto do start-stop na manutenção dos veículos

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A chegada da tecnologia start-stop está exigindo algumas mudanças nas oficinas. A popularização desse sistema, que busca economizar combustível e diminuir as emissões de poluentes, traz novos desafios para os mecânicos e eletricistas automotivos.

A princípio, essa solução — que estreou nos modelos nacionais em 2014, na segunda geração do Fiat Uno — até parece bem simples. Mas não é! Neste artigo, vamos relembrar a sua história e destacar os principais cuidados necessários na hora da manutenção.

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Breve história da tecnologia

Os primeiros veículos com start-stop surgiram na década de 1970. Nessa época, o mundo enfrentou as crises mundiais do petróleo e as montadoras precisaram investir em várias tecnologias para reduzir o consumo de combustível. Em alguns países, os governos também passaram a exigir um maior controle da poluição.

A primeira marca a apresentar a novidade foi a Toyota, em 1974. Seu grande sedan, o Crown, ganhou um sistema que desligava e ligava o motor de uma forma automática a cada parada. Nos anos seguintes, outras montadoras lançaram soluções parecidas, como a Fiat, Volkswagen e Audi.

Mas esses pioneiros enfrentaram vários problemas. A maioria dos carros ainda era equipada com carburador (o que sempre dificulta as partidas), as baterias eram mais limitadas e a tecnologia da época usou o conceito tradicional de alternador e motor de partida, com poucas mudanças em relação aos modelos comuns.

A tecnologia start-stop se reinventou em 2004, quando a Citroën apresentou uma versão do C3 que usava um novo alternador. O equipamento era capaz de ligar o motor e também recarregar as baterias. Atualmente, essa é a solução mais usada em todo o mundo e a mais provável de aparecer na sua oficina.

Essa evolução, porém, vem trazendo alguns desafios tanto para os motoristas quanto para quem trabalha na manutenção desses carros. A seguir, vamos apresentar alguns pontos importantes que você deve ficar sempre atento. Continue com a gente!

Problemas mais comuns

Depois dessa rápida volta ao passado, vamos à prática! Confira alguns dos principais problemas encontrados pelos mecânicos quando recebem um carro equipado com start-stop. Fique atento a esses pontos no início do diagnóstico.

Checagem de falhas

Para funcionar direito, um modelo com start-stop exige uma manutenção mais frequente e bem executada. Ao avaliar o carro do cliente, fique muito atento ao estado do tensionador e correia do alternador, filtros de combustível e bicos injetores, bateria, bobina, cabos e velas. Ao final, use o scanner para ter a certeza de que não restou algum problema escondido, como falhas nos sensores da injeção eletrônica. 

Desgastes prematuros

Se a sua oficina estiver instalada numa cidade grande, com trânsito intenso, oriente os clientes a redobrar a atenção com o sistema. Nesses casos, o ideal é abreviar os prazos das revisões preventivas que estão indicados no manual do veículo. Os meses de verão e as épocas de chuvas costumam ser os períodos mais complicados, devido ao uso intenso do ar condicionado, desembaçador traseiro, luzes, limpadores e outros acessórios.

Escolha das peças

Outro ponto muito importante para os veículos com start-stop é usar apenas componentes de qualidade e seguir exatamente as especificações dos fabricantes. Não adianta improvisar para tentar fazer economia, principalmente em itens como correia, tensionador, bateria ou velas. Sempre dá problema! Se você ficar na dúvida durante a revisão, confira os códigos desses itens nos catálogos originais da montadora ou fornecedores de autopeças.

Cuidados na manutenção

Se o cliente deixar o veículo sempre em ordem, a presença do sistema start-stop não costuma ser um problema para os mecânicos. Apenas é preciso redobrar o cuidado com alguns elementos fundamentais e fazer uma manutenção preventiva caprichada para garantir que a partida seja sempre fácil e não deixe o motorista pelo caminho.

Sistema de ignição

É um dos pontos mais exigidos, principalmente as velas, cabos e bobinas. Oriente seus clientes sobre a importância de realizar uma checagem mais frequente, conferindo o estado das peças a cada 10 mil quilômetros. Dessa forma, é possível garantir que tudo esteja sempre em ordem.

Sistema de injeção

Os injetores também podem sofrer com as partidas frequentes. Não há grande mistério, mas é fundamental fazer uma manutenção preventiva detalhada. Fique atento a cada componente, inclusive os filtros, mangueiras e regulador de pressão. Também não deixe de fazer uma avaliação final com o scanner.

Sistema elétrico

As partidas constantes também geram um grande impacto na bateria. Para contornar esse problema, as montadoras têm optado por modelos bem potentes e também mais caros. Veículos sofisticados, como o importado Volvo S60, até saem de fábrica com duas baterias. Sempre avalie essa parte com muita atenção.

Em complemento, o alternador é o “coração” da maioria dos sistemas modernos de start-stop. Ao unir as funções de partida e carregamento da bateria, esse item é muito mais sofisticado e exigido do que um modelo comum. Qualquer manutenção precisa ser feita por um especialista, com o uso das ferramentas certas e peças de qualidade.

Sistema de acionamento

Por último, fique sempre de olho em todo o sistema de acionamento: correia, polias e tensionadores. Nos veículos comuns essas peças costumam seguir funcionando, mesmo quando estão com um desgaste excessivo. Em modelos com start-stop, como o esforço é muito maior, isso não costuma acontecer e o seu cliente pode ficar a pé.

Sem mistérios

Como você notou, a tecnologia start-stop não tem nenhum mistério, mas o mecânico precisa ficar muito mais atento aos detalhes, usar peças e ferramentas adequadas e orientar os clientes sobre a importância da manutenção preventiva. Cada vez mais, os veículos novos exigem um enfoque profissional das oficinas e um maior cuidado dos donos. Fazendo tudo da maneira correta, não aparecem surpresas desagradáveis e todos ficam satisfeitos!

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