Honda City Hatchback: confortável e econômico

A versão hatchback do Honda City foi muito aguardada e, por anos, especulada. Afinal, por que a montadora demorou tanto para trazer o modelo para o Brasil? Provavelmente para não abrir concorrência interna, pois iria bater de frente com o monovolume Fit. Tanto que ao lançar o City Hatch, o Fit saiu de linha.
Avaliamos a versão Touring (topo de linha), que tem preço sugerido de R$ 132.600 com pintura sólida (disponível apenas na cor branca). As cores metálicas (azul cósmico, cinza barium e prata platinum) e perolizadas (preto cristal, cinza grafeno e vermelho mercúrio) acrescem R$ 1.700, exceto o branco topázio perolizado, que tem acréscimo de R$ 2.000 sobre o valor inicial.
O novo compacto japonês é confortável e muito econômico. O motor ainda é o bom e velho quatro-cilindros aspirado de 1.5 litro, 16V, com duplo comando de válvulas I-VTEC variável na admissão. Porém, agora é totalmente de alumínio e ganhou injeção direta de combustível, o que provavelmente explica o consumo médio de 24,5 km/l medidos durante o nosso teste padrão de consumo: velocidade constante de 80km/h, com vidros fechados e ar-condicionado ligado, sempre em um mesmo trajeto com 12km na rodovia Anchieta, em São Paulo.
Em números oficiais, do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, o City Hatch registrou consumos médios de 9,1/13,3km/l com etanol, na cidade e estrada, e 10,5/14,8 km/l, com gasolina.
Graças à injeção direta, o novo motor gera 126 cv de potência a 6200 rpm tanto na gasolina quanto no etanol, e torque máximo de 15,8 kgfm (etanol) e 15,5 kgfm (gasolina) a 4600 rpm.
O sistema i-VTEC nada mais é do que um came (ressalto) especial para priorizar a potência em rotações mais elevadas do motor. O formato destes quatro cames – cada um responsável por um cilindro – resulta na variação da amplitude e duração da abertura das válvulas de admissão. Na prática, é como se fosse um comando dois-em-um: um com cames otimizados para consumo e outro para desempenho. A variação entre os ocorre por meio de um sistema hidráulico, gerenciado eletronicamente e que considera não apenas a rotação do motor, mas diversos outros parâmetros, como carga sobre o acelerador e até a inclinação do carro.
Acoplado ao motor, a transmissão tipo CVT com sete marchas virtuais e borboletas atrás do volante ganhou novas tecnologias, que segundo a Honda aumentam a sensação de esportividade e segurança. A primeira é o Step-shift: com o pé afundado no acelerador (kick-down), a central de gerenciamento eletrônico do CVT coordena as trocas nos pontos fixos das marchas, acentuando exatamente a sensação da mudança.
Já a segunda é o EDDB (Early Down-shift During Braking). Nas descidas, ao notar que o motorista está pisando no freio para conter o ganho de velocidade por conta da inclinação, o CVT assume uma relação que resulta em maior aplicação de freio-motor. A ação do EDDB é automática e amplia a segurança sem afetar o consumo.
Independente do EDDB, o motorista sempre pode utilizar a relação de marchas virtuais do CVT da Honda para controlar de forma precisa a velocidade em longas descidas. Basta utilizar as borboletas atrás do volante, reduzindo ou aumentando as marchas. Durante a avaliação, descemos a serra pela rodovia Imigrantes, que tem velocidade limitada a 80km/h sem precisar pisar no pedal do freio.
Design
A silhueta do City Hatch é aquela tradicional de um carro da categoria. Uma grande tampa envidraçada na traseira dá acesso ao porta-malas. O projeto da Honda acompanha a tendência de mercado de modelos hatchback mais largos e baixos, para privilegiar um design esportivo.
A versão avaliada, Touring, conta com faróis full LED, luzes indicadoras de direção, DRL e faróis de neblina em LED. As lanternas traseiras também são em LED. Assim como o Fit, o City Hatch vem com bancos Magic Seat com quatro modos de utilização (Utility, Long, Tall e Refresh). No modo Utility, por exemplo, o espaço chega a 1.168 litros de volume, superando os 1.045 litros disponíveis no Fit na mesma condição.
Entre os equipamentos de conforto, destaque para o botão de partida do motor, sistema de travamento e destravamento por aproximação da chave (Smart Entry), ar-condicionado digital e automático, central multimídia touchscreen de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem-fio, câmera de ré multivisão, sensores de estacionamento traseiros, bancos revestidos em couro e painel digital TFT de 7 polegadas multiconfigurável. A versão Touring traz ainda sensores de estacionamento dianteiros.
Segurança
O novo City marca a estreia do Honda SENSING, pacote de tecnologias de segurança e assistência ao motorista. Baseado nas imagens captadas por uma câmera de visão ampla e de longa distância, instalada na parte central e superior do para-brisa, o Honda SENSING conta com cinco funções:
• ACC – Controle de cruzeiro adaptativo – Auxilia o motorista a manter uma distância segura em relação ao veículo detectado à sua frente;
• CMBS – Sistema de frenagem para mitigação de colisão – Aciona o freio ao detectar uma possível colisão frontal. Ele é capaz de detectar e identificar pedestres e veículos que estejam no mesmo sentido ou no oposto;
• LKAS – Sistema de assistência de permanência em faixa – Detecta as faixas de rodagem e ajusta a direção com o objetivo de auxiliar o motorista a manter o veículo centralizado nas linhas de marcação;
• RDM – Sistema para mitigação de evasão de pista – Detecta a saída da pista e ajusta a direção com o objetivo de evitar acidentes;
• AHB – Ajuste automático de farol – Comutação noturna automática dos fachos baixo e alto dos faróis de acordo com a situação.
O ACC, no entanto, não é dos mais modernos, uma vez que funciona até 30 km/h. Abaixo dessa velocidade, o sistema desliga e alerta o motorista a assumir o controle do veículo. Funciona bem em estradas de alta velocidade, porém na cidade é preciso atenção ao utilizar o equipamento.
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Texto por: Alexandre Akashi